Porto Velho, Estado de Rondônia, 5/9/2010
 
 
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6/7/2010 >> Notícias >> Geral
Para que todos os jornalistas, políticos, juízes, promotores e o povo de Rondônia leiam/ For all journalists, politicians, judges, prosecutors and the people of Rondônia read
O PASSADO QUE CONDENA
Precisamos, todos, ser a memória da cidadania. Seria bom, em período eleitoral, relembrar o nome dos deputados e funcionários que participaram ativamente dos desmandos criminosos.

ENGLISH TEXT BELLOW

Políticos e "legalidade" versus ética

Carlos Alberto di Franco (O Estado de S.Paulo)

A imprensa paranaense está escrevendo um belo capítulo na história do jornalismo de qualidade, um exemplo a ser seguido por todos nós. A investigação ética é sempre a melhor aliada da cidadania. Foi o que se viu na série de reportagens do jornal Gazeta do Povo e da Rede Paranaense de Comunicação (RPC-TV), veiculadas em meados de março. Os repórteres Katia Brembatti, Karlos Kohlbach, James Alberti e Gabriel Tabatcheik devassaram uma poderosa máquina de corrupção que, há anos, domina o Poder Legislativo do Paraná.

A Assembleia Legislativa do Paraná escondeu 56,7% de seus atos em diários avulsos, inacessíveis ao público, muitos sem numeração e publicados em datas aleatórias, desconectadas da época dos fatos publicados. A prática encobria uma impressionante máfia administrativa. Os repórteres tiveram acesso a mais de 700 diários editados entre 1998 e 2009 e durante dois anos cruzaram o conteúdo das publicações. Não foi dossiê encaminhado à redação. Foi um formidável investimento em jornalismo investigativo. Essa aposta na denúncia bem fundamentada revelou situações como a da agricultora Jermine Leal e sua filha Vanilda Leal, moradoras em casas pobres, de chão batido, na área rural de Cerro Azul, a 100 quilômetros de Curitiba. Sobrevivem graças ao Bolsa-Família. Mas na documentação da Assembleia Legislativa do Paraná apareciam como beneficiárias de R$ 1,6 milhão ao longo de cinco anos, dinheiro que nunca viram. O exemplo é só uma casquinha de noz num mar de podridão, corrupção e cinismo.

Os promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) já comprovaram que o esquema de corrupção montado dentro da Assembleia Legislativa desviou pelo menos R$ 26 milhões dos cofres públicos. Esse valor equivale aos depósitos feitos pela Casa na conta bancária de 17 funcionários fantasmas. A estimativa dos promotores, no entanto, é de que o desvio total chegue a R$ 100 milhões. Até o momento, 18 pessoas foram presas por conexão com o esquema criminoso.

Diante do quadro levantado pela série de reportagens, a seção paranaense da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PR) lançou, há três semanas, o movimento "O Paraná que Queremos", que em carta aberta conclama a sociedade paranaense a pedir transparência no Legislativo e a punição dos envolvidos nas denúncias. A conclamação surtiu efeito. O movimento chegou até agora à marca de 142 adesões de entidades ? Universidade Federal do Paraná (UFPR), Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Federação do Comércio do Paraná (Fecomércio), Associação Paranaense dos Juízes Federais (Apajufe), Sindicato das Escolas Particulares do Paraná (Sinepe) ?, 136 de empresas e 152 de pessoas físicas. O movimento, um autêntico grito da cidadania, mostra que a sociedade reage positivamente às denúncias da imprensa.

A Assembleia Legislativa do Paraná, numa reação recorrente em situações semelhantes, classificou como ilegal e antidemocrática a campanha "O Paraná que Queremos". Em carta intitulada Por um Paraná justo, legal e ordeiro, entregue à OAB-PR, o procurador do Legislativo Marco Antonio Marconcin afirma que os anúncios de adesões publicados pela OAB-PR na Gazeta do Povo e exibidos na RPCTV ferem "o princípio da legalidade e respeito às instituições no marco da democracia constitucional". A carta da Assembleia afirma que a campanha incita à desordem e "compõe um chamamento temerário de quebra do respeito devido às instituições legais; configurando incitamento à comoção social e, no limite, violação da ordem pública por afronta à legalidade democrática, ao investir de forma generalizada contra a Assembleia Legislativa, no exercício constitucional do Poder Legislativo Estadual". Marconcin diz ainda que a OAB não observa o "devido processo legal" e faz prejulgamento da "generalidade dos deputados, dos servidores e da instituição parlamentar". É o comportamento de sempre. "Legalidade" versus ética. Presunção de inocência versus transparência nos assuntos públicos. Como se fosse possível construir o Estado de Direito de costas para os valores éticos.

Armação da imprensa. Distorção da mídia. Patrulhamento de jornalista. Quantas vezes, caro leitor, você registrou essas reações nas páginas dos jornais? Inúmeras, estou certo. Elas estão contidas, frequentemente, em declarações de políticos apanhados com a boca na botija, no constrangimento de homens públicos obsessivamente ocupados com a privatização do dinheiro público e no cinismo dos que usam a "legalidade" como escudo protetor para a prática da delinquência. Todos, independentemente da contundência de suas impressões digitais, negam tudo. Procuram, invariavelmente, um bode expiatório para justificar seus delitos. A culpa é da imprensa! A acusação é uma manifestação explícita de desprezo pela verdade e de desrespeito ao cidadão.

Registro, entusiasmado, o bom exemplo dos jornalistas do Paraná: uma denúncia sólida e irrefutável. Complementa-se o dever da denúncia com o que eu chamaria de jornalismo de buldogues. Precisamos, todos, ser a memória da cidadania. Seria bom, em período eleitoral, relembrar o nome dos deputados e funcionários que participaram ativamente dos desmandos criminosos.

É dever ético da imprensa promover uma ampla conscientização popular da relevância que os cargos públicos têm e da importância de que pessoas absolutamente idôneas os ocupem. Os programas eleitorais vendem uma bela embalagem, mas, de fato, são vazios de conteúdo. Nós, jornalistas, devemos ser o contraponto a essa tendência. Cabe-nos a missão de desnudar o que o marketing esconde.



Editado por Nelson Townes

Postado por NoticiaRo.com em Porto Velho (Rondônia) na segundai-feira, 5 de julho de 2010

ENGLISH

For all journalists, politicians, judges, prosecutors and the people of Rondônia read

Text of image

THE PAST THAT CONDEMNS
We must all be a memory of citizenship. It would be nice, at election time, remember the names of Members and staff who actively participated in criminal excesses.

Politicians and "legal" versus ethics

Carlos Alberto di Franco (O Estado de S. Paulo)

The press Parana is writing a nice chapter in the history of quality journalism, an example being followed by us all. Research ethics is always the best ally of citizenship. It was what we saw in the series of articles the newspaper Gazeta do Povo Paraná and the Network of Communication (RPC-TV), broadcast in mid-March. Reporters Katia Brembatti, Karlos Kohlbach, James Alberti and Gabriel Tabatcheik pry a powerful engine of corruption for years, dominated the legislative branch of Parana.

The Legislative Assembly of Paraná hid 56.7% of his actions in daily detached, inaccessible to the public, many without numbers and dates published in random, disconnected from the time of the events published. The practice of covering up an impressive mob management. The reporters had access to more than 700 journals published from 1998 to 2009 and during two years crossed the contents of publications. No file was forwarded to the editor. It was a tremendous investment in investigative journalism. That bet proved well-founded complaint in situations like the farmer and his daughter Jermine Vanilda Leal Leal, living in poor houses, knocked to the ground in the rural area of Cerro Azul, 100 km from Curitiba. They survive thanks to the Family Grant. But the documentation of the Legislative Assembly of Paraná appeared as beneficiaries of $ 1.6 million over five years, money they never saw. The example is just a nutty crust in a sea of decay, corruption and cynicism.

The promoters of the Special Action Group to Combat Organized Crime (Gaeco) have demonstrated that the corruption scheme mounted within the Legislature diverted at least $ 26 million from state coffers. This value is equivalent to deposits made by the House in the bank account of 17 staff ghosts. The estimate of the promoters, however, is that the total deviation reaches $ 100 million. So far, 18 people were arrested for connection to the criminal scheme.

Faced with a situation posed by the series of reports, the section of Parana Bar Association of Brazil (OAB-PR) has launched three weeks ago, the movement "The Paraná We Want," which in an open letter urges the company to ask for transparency in Parana Legislative and punishment of those involved in the complaints. The rallying worked. The movement has come so far to the mark of 142 accessions of entities? Federal University of Parana (UFPR), Federation of Industries of Paraná (Fiep), Federation of Commerce of Paraná (Fecomércio), Paraná Association of Federal Judges (Apajufe), Syndicate of Private Schools of Paraná (SINEPE)?, 136, companies and 152 individuals. The movement, a genuine cry of citizenship, shows that society reacts positively to complaints from the press.

The Legislative Assembly of Parana, in a reaction applicant in similar situations, classified as an illegal and undemocratic campaign "Paraná We Want." In a letter entitled On Paraná fair, legal and orderly, delivered to the OAB-PR, the prosecutor of the Legislature Marco Antonio Marconcini says ads published by adhesions in the OAB-PR Gazeta do Povo and displayed in RPCTV hurt "the principle of legality and respect for institutions within the framework of constitutional democracy. " The letter from the Assembly says the campaign incites disorder and "makes up a call reckless breach of the respect due to legal institutions; setting incitement to social upheaval and, at worst, violations of public order affront to democratic legality, to invest so general against the Legislature, the constitutional exercise of the Legislative State. " Marconcini says that the OAB does not respect the "due process" and does prejudgment of the "majority of Members of the servers and the parliamentary institution." It"s behavior forever. "Legality versus ethics. Presumption of innocence versus transparency in public affairs. As if it were possible to build the rule of law back to the ethical values.

Frame of the press. Distortion of the media. Patrol as a journalist. How often, dear reader, you recorded these responses in the newspapers? Countless, I"m sure. They are contained, often with statements of politicians caught red-handed, to the embarrassment of public men obsessively occupied with the privatization of public money and the cynicism of those who use the "legality" as a protective shield for the practice of delinquency. Everyone, regardless of the forcefulness of his fingerprints, they deny everything. Seek invariably a scapegoat to justify their crimes. Blame it on the press! The charge is a clear expression of contempt and disregard for the truth to citizens.

Registry, enthusiastic, a good example of journalists in Paraná: a complaint solid and irrefutable. Complements the duty of the complaint with what I call journalism Bulldogs. We must all be a memory of citizenship. It would be nice, at election time, remember the names of Members and staff who actively participated in criminal excesses.

It is an ethical duty of the press to promote wide public awareness of the importance that public office and have the importance that the people quite reputable occupy. The election programs sell a nice package, but, in fact, are empty of content. We journalists should be the counterpoint to this trend. It is our mission to uncover what the marketing hides.

Edited by Nelson Townes

Posted by NoticiaRo.com in Porto Velho (Rondônia) in segundai Thursday, July 5, 2010

 

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Fonte: ANJ/ Carlos Alberto di Franco/ O Estado de S.Paulo/ NoticiaRo.com