Por NELSON TOWNES (noticiaRo.com)
A foto acima é im retrato de Porto Velho, Capital de Rondônia. As pessoas são obrigadas a andar no meio da rua porque as calçadas têm obstáculos, barreiras, lixo. Ou carros estacionados.
A fiação elétrica é velha e os postes inclinados parecem que vão tombar. As ruas são estreitas e motoqueiros transitam irresponsavelmente (o da da foto não tem capacete).
Não há planejamento urbano, onde cada um constrói como quer, invadindo o espaço público com imóveis bizarros. Mas, essa não é uma foto de Porto Príncipe, Haiti, logo após o terremoto? É.
A diferença é que não precisamos sofrer um terremoto para ter aspecto de cidade abalada por uma administração pública de nível de magnitude catastrófica igual a que atingiu a Capital do Haiti.
No entanto, hoje, 4 de julho de 2010, é o dia do 103º aniversário desta cidade que nasceu do acampamento de construção de Estrada de Ferra Madeira-Mamoré. A data jamais foi comemorada; os porto-velhenses comemoram unicamente a data da criação do município em 2 de outubro.
E como há 103 anos, nada se faz para festejar este 4 de julho de 2010. Não se faz nenhuma festa, nada para comemorar o terceiro ano do centenário, que não é apenas da cidade, mas da própria Rondônia que se originou de Porto Velho.
Todos os anos, costumamos publicar fotos históricas da época.
Não há menor dúvida, todos os historiadores estão de acordo que as obras da ferrovia mãe da cidade começaram em 1907. O fato histórico que marca a data da fundação (ou nascimento, tanto faz) de Porto Velho ocorre no dia 4 de julho de 1907.
Nessa data, um prego de prata é batido pela norte-americana Grace Jeckyl, mulher de um dos empreiteiros da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, no primeiro dormente da ferrovia, simbolizando o início oficial da obra num novo local na margem direita do rio Madeira, sete quilômetros a sudoeste do porto de Santo Antonio, onde duas tentativas anteriores de construção foram catastróficas, impedidas pela malária, naufrágios na cachoeira e outros desastres.
O grampo de prata no dormente era de intensamente simbólico, marcando a esperança de sucesso no novo local de onde partirá a ferrovia. Sequer a picada na mata estava aberta. Mas, era um novo local, deslocado da imunda e mortífera Santo Antonio.
É o que diz a tradição oral ao longo de 103 anos. Nunca houve um desmentido, exceto de uns acadêmicos que só faltam exigir como prova o DVD da cena, as fotos digitais publicadas na imprensa, as notícias impressas em laser a cores dos sites sobre o evento.
Talvez exista mesmo ou tenha sobrevivido à destruição feita pelos militares algum documento físico sobre a solenidade. O resto vem sendo contado de ferroviário pai para filho, e acreditado com a mesma forma que acreditamos nos relatos orais sobre Cristo, feitos aos apóstolos quase cem anos após a vida do Filho de Deus.
Quaquer historiador s sabe que a tradição oral coerente e confirmada por evidências substitui as provas físicas, tão caras aos historiadores cartoriais. E as evidências são fartas.
Mas, a maioria dos historiadores de Porto Velho não corrige o erro histórico por motivos que sequer são debatidos.
Aquele 4 de julho de 1907 era o marco inicial do canteiro das obras e do futuro conjunto residencial dos norte-americanos que construiriam a estrada, dos engenheiros,funcionários burocratas e diretores da ferrovia.
Ao acampamento da EFMM cuja construção se seguiu à pequena solenidade de 4 de julho de 1907, o lugar em menos de três anos estaria transformado numa das mais modernas cidades do mundo em sua época – como atestaria o sanitarista Oswaldo Cruz, que esteve em Porto Velho em em 1910. Os primeiros jornais que surgiram aqui – o "The Porto Velho Times", o "The Porto Velho Courier", e "The Marconigran", todos escritos em inglês, a língua oficial dos primeiros porto-velhenses.
O nome inicial era Porto Velho de Santo Antonio, conforme o local de procedência estampado no cabeçalho dos primeiros jornais que Há 102 anos esta é a única cidade do Brasil –do mundo talvez – que não celebra seu nascimento. E a data de hoje, também não será celebrada. Algumas “múmixa”s e “almas penadas” de nossas academias vão continuar deixando a data em branco?
Era uma ferrovia boliviana-americana-brasileira. Sempre foi, embora o escritor Francisco Matias, numa entrevista ao médico e apresentador de TV, Viriato Moura, tenha dito há uns 15 dias que de boliviana a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré não tinha nada.
Foi a maior asneira jamais dita sobre a história de Rondônia nos últimos 103 anos da história regional. Era uma entrevista sobre a história rondoniense e ninguém lembrou do 103° aniversário da dade.
Ainda neste domingo, à tarde, postarei um artigo contestando Francisco Matias. Outra asneira de Francisco Matias foi a de ter dito que um dos problemas de Porto Velho é ter esse nome: Porto Velho.
Perguntaremos a Matias sobre qual o nome que a cidade deveria ter. Churchônia? em homenagem ao tenente-coronel George Earl Church, o engenheiro americano que os bolivianos contrataram para construir a ferrovia. Ou, combinando Church com cachoeira de Santo Antonio o nome de Porto Velho deveria ser Chochotônia?
Postado por NoticiaRo.com em Porto Velho (Rondônia), no domingo, 4 de julho de 2010.
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