Por NELSON TOWNES (NoticiaRo.com)
PORTO VELHO, domingo, 7 de março de 2010 (NoticiaRo.com) – O coordenador de Meio Ambiente da empresa Santo Antônio Energia, responsável pela construção e pela futura operação da Usina Hidrelétrica (UHE) Santo Antônio, localizada no rio Madeira, em Porto Velho (RO), Aloísio Otávio Ferreira, confessou que a concessionária não sabe como preservar a migração de peixes através do rio Madeira para a desova e, assim garantir sua sobrevivência (a piracema.)
Numa entrevista gravada em vídeo e divulgada neste sábado (6) por um site de Porto Velho, Aloisio diz que a Santo Antonio Energia está construindo um sistema de transposição de peixes em "escala rea"l, no próprio rio, uma espécie de canal de concreto junto à hidrelétrica para dar acesso aos peixes que usam o rio Madeira como corredor para desova nas nascentes do rio nos contrafortes dos Andes bolivianos
Essa declaração mostra a inutilidade de um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) assinado há alguns dias entre a empresa Santo Antonio Energia e promotores do Ministério Público em Rondônia, através do qual a concessionária se comprometia a realizar “projetos” para o “repovoamento” de peixes no rio num certo prazo após a construção da usina,
O canal que está sendo construído atualmente com o objetivo de permitir que os peixes transponham a hidrelétrica e façam a migração para desova são “experimentais”, nunca feitos antes no Brasil (ou no mundo) e visam “calibrar” ou “ajustar o nível” correto dos canais de transposição previstos no projeto da hidrelétrica.
Além de confessar que as obras da hidrelétrica foram iniciadas sem que se soubesse como garantir a “piracema” e a proteção da fauna aquática – um dos mais graves impactos ambientais da obra – a empresa Santo Antonio Energia fez de tolos os representantes do Ministério Público ao propor uma conduta de reprodução de peixes no rio, pois a reprodução não é aqui, e nas nascentes bolivianas do Madeira.
Ou, pergunta-se, será que os tolos são os próprios promotores que não conhecem o rio Madeira, e aceitam ou propõe um “Termo de Ajuste de Conduta” para a reprodução de peixes em situação antinatural?
Pergunta-se: será que os mais tolos são os juízes que permitiram que a obra fosse iniciada e prosseguisse sem que um dos mais elementares impactos ambientais tenha sido corretamente equacionado?
O vídeo mostra um canal experimental para os peixes que, aparentemente, deixaria entalados os bagres maiores do rio Madeira. Se mais de um resolvesse furar a fila no caminho para a reprodução e desova.
Com potência prevista de 3.150 megawatts e investimento de R$ 13,5 bilhões, a UHE Santo Antônio já é considerada um dos maiores desastres ambientais da Amazônia.
A Santo Antônio Energia tem como cúmplices de seus crimes seus acionistas as empresas Furnas, Odebrecht, Andrade Gutierrez, Cemig e o Fundo de Investimentos e Participações Amazônia Energia (FIP) – encabeçado pelos bancos Banif e Santander e pelo Fundo de Investimento do FGTS.
A UHE Santo Antônio é uma das principais obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal. A cidade de Porto Velho já começa a ter consciência de que se trata, para os rondonienses, de um falso crescimento e muita mentira.
Esta matéria não será reproduzida pela maioria dos órgãos de imprensa de Rondônia, amestrados ou censurados financeiramente pela Santo Antonio Energia.
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